21 nov
Caros amigos e clientes, Leonardo Moraes escreveu este texto, que é uma abordagem muito bem feita sobre a realidade da internet nos negócios e na história da humanidade. Vale a pena conferir.
Desde que a Toyota inovou o conceito de linha de produção automobilística e começou a ganhar não só o market share japonês, mas também o norte-americano, e desde que Michael Dell começou a vender PCs sob demanda, o mundo vem mudando. Paradigmas deixam de existir para logo dar lugar a outros tantos.
Todo esse movimento começou a ser catalisado pelo surgimento comercial da internet, lá no meio dos anos 90. O qual pude presenciar, participar e acompanhar até os dias de hoje. A estrada estava aberta e já havia recebido sua primeira camada de pavimentação. Todos queriam rodar, mas ainda não sabiam certamente aonde poderiam chegar. Quais oportunidades e desafios surgiriam ao mesmo tempo em que novas possibilidades seriam exploradas.
Uma profusão de idéias emergiu através de um grande e coletivo brainstorm mundial. Era o momento de surfar a nova onda que certamente havia chegado para ficar. Ninguém se atreveu a perder o trem da história. Até mesmo Bill de Redmond teve que dar o braço a torcer e se render ao poder dos browsers e das buscas online após ter a sua dianteira ameaçada por adolescentes recém saídos de universidades. Viu o Netscape de Marc Andersen surgir e crescer em progressão geométrica. Logo depois o Yahoo e o Google também em escala mundial. Bill teve que comprar um tíquete muito caro para subir no trem a tempo de não perder a viagem. Pelo menos teve humildade de reconhecer um erro de estratégia e redirecionar algumas baterias da artilharia da Microsoft para a internet.
Desde 2007 Andersen está à frente da Ning. Mecanismo de criar redes sociais por nichos.
Semana passada mesmo, aqui em Salvador, participei de um evento de grandes players do mercado onde uma executiva de contas de Bill teve que fazer muito esforço para aquecer a platéia ao demonstrar os novos produtos de Redmond voltados para web. Realmente excelentes produtos; mas nada de novo. Apenas uma nova roupagem para o que aí está.
A palavra de ordem não só na internet mundial há pelo menos uns 7 anos é inovação. E no mercado brasileiro e latino não é diferente. As empresas tentam reinventar seus modelos de negócio e atrair mais consumidores para seus produtos.
Os governos, dentro de suas possibilidades, criam o e-gov trazendo ao público ferramentas de orçamentos e licitações eletrônicas imitando o B2B privado. Traz não só à web, mas também ao celular, serviços de utilidade pública e interoperabilidade como pedidos de certidões, registros policiais, acesso a matrículas escolares e consultas no sistema de saúde. Em São Paulo, sob caráter beta, existe um widget no celular que permite aos diabéticos balancearem seus cardápios diários de forma a não ultrapassar a taxa de glicose. Chama-se “GlicOnline”. Algo jamais imaginado no século passado. Na década passada.
Um das grandes transformações ocorridas neste meio tempo no mercado latino americano foi o surgimento da companhia aérea Gol. Logo de chegada com um modelo de negócio inovador conseguiu reduzir custos ao vender o bilhete aéreo pela internet. Onde o próprio cliente busca o vôo, marca o acento no check-in, pagando parcelado em cartão de crédito e emitindo o seu bilhete de embarque chamado e-TKT. De um dia para o outro viajar de avião no Brasil havia ficado mais barato do que viajar de ônibus. O que logo foi percebido pelo público e nervosamente copiado pela concorrência. Agora mais uma vez a Gol inova colocando o e-TKT de embarque na tela do celular. Não há mais papel. Pois a nota fiscal também é eletrônica.
Atraída pelo novo cenário de oportunidades a Azul (Jet Blue) está decolando agora em dezembro de 2008 no mercado LATAM.
Mas não esqueçam a historinha da azeitona da American Airlines!
Trabalhei em uma grande e tradicional rede varejista de alcance nacional com mais de 60 anos de mercado à época – Lojas Americanas – que a cada páscoa consegue se superar na venda de chocolates. Nunca vende menos do que 2.000 toneladas de ovos e barras de chocolate. Sua filosofia é vender mais por menos e ganhar no volume. E também vender tudo o mais que agregue valor a esta venda. Seja ela física ou, já há alguns anos virtual. Quando inaugurou sua loja virtual rapidamente percebeu que seu faturamento eletrônico era o mesmo de uma loja brick. Então por que não investir pesadamente neste novo filão? Seu estoque na internet era e é ilimitado. Altos executivos viajavam todo mês para a Ásia para fazer negócios da China e aumentar a cadeia de fornecimento.
Os milhares de quilos de guloseimas se transformaram em milhares de contêineres de eletrônicos, tênis, gadgets e toda a sorte de produtos que a China pode oferecer ao mundo. Comprar nunca foi tão fácil. Novos termos surgiram como B2B e B2C.
Com os leilões online surgiu o C2C. O gigante e-Bay é o mais famoso. Teve a ousadia e visão de no momento certo adquirir o controle de seus concorrentes. Acredito que a esta altura estava se dando o início da web 2.0. Pois, nos leilões, a mão única de informação passou a ser de ida e volta quando os clientes usuários ofertavam seus produtos e outros tantos davam seus respectivos lances. De certa forma os dois lados estavam gerando conteúdo sobre determinados temas. Um modelo de negócio antigo que fora adaptado para o mundo online. E que também foi copiado com sucesso pelos governos principalmente sob a forma de leilões reversos.
Falar em gadgets me faz lembrar de mais uma nova palavra: widgets. Neste exato momento no meu desktop recebo uma atualização do wid do jornal Estado de São Paulo informando que conteúdo neonazista foi retirado do Facebook após polêmica em seu braço italiano.
Gadgets, APPs, widgets,… pode ser que sejam variações sobre o mesmo tema. Mas os “programetas” vieram para tornar a vida ainda mais fácil e dinâmica onde, novamente, tudo está conectado a tudo. Pequenas aplicações desktop que ficam conectadas aos últimos acontecimentos fazendo com que o mundo fique ainda menor do que já está. Seja a previsão do tempo ou a variação do cambio monetário. A meu ver uma evolução natural dos feeds rss.
Voltando à questão do B2C e B2B vale a pena lembrar sobre a criação aqui na América Latina da loja virtual Submarino no ano 2000. Mais um grande desafio estava lançado no mercado. A logística.
Como entregar uma camisa do Flamengo no Acre sem frustrar o cliente e inviabilizar o custo da operação? Como entregar no mesmo dia na cidade de São Paulo? Mais um filão empresarial descoberto a ser explorado. Fedex e DHL não estavam mais sozinhas…
Para se ter idéia de como o crescimento do Submarino foi subestimado, em seu primeiro ano de funcionamento teve que modernizar a sua infra-estrutura de TI oito vezes mediante ao estrondoso volume de vendas e acessos. Um sucesso nato.
Culminou em 2006 com a fusão com Americanas.com e Shoptime. Estava criado a B2W. Mega empresa que aliou todo o poder da internet com a rede varejista distribuída por todo o território nacional.
Hoje além de mais de 700.000 itens oferecidos, também vende viagens e ingressos para cinema, shows e espetáculos juntamente com outros serviços de valor agregado.
Também passamos pelo surgimento de provedores gratuitos de acesso discado. Comprados em seguida pelas operadoras de telefonia que assim garantiram volume de negócios. Hoje já um modelo de negócio consagrado.
Então o que fazer? O que inventar para agregar mais valor? Além de comprar os consumidores teriam que ter mais opções e diversão ao mesmo tempo em que passavam mais tempo a frente do computador navegando pela internet.
Surgiram então em âmbito mundial quase que simultaneamente o CDNOW e a AMAZON. Estava criada a busca por raridades na ponta dos dedos. Internautas ávidos pelo novo do velho e velho no novo orgulhavam-se de ter achado e comprado um CD que há muito tempo procuravam e não achavam. Uma gravação de um show dos Beatles na Alemanha ou um livro de contos que nem a Barnes tinha. E tudo isto a poucos cliques de mouse junto a uma farra números de cartões de crédito estalando de novos para serem usados.
Vamos vender também a determinados nichos de mercado / pessoas uma música. E qual o problema dela custar US$ 0,25. Long tail. Que seja.
Deu-se a percepção que o faturamento também estava em nichos específicos. O que você quer não está em estoque; mas chegará em 10 dias. Pronto. Pedido tirado e venda confirmada. Tudo simples assim. Eu quero, eu acho e eu pago. Algo antes impossível para as lojas brick. Manter grandes estoques de produtos específicos ao mesmo tempo em que têm por obrigação escoar a produção dos blockbusters.
Mas espera aí. Por que pagar por tudo isto? Foi o que pensou Shawn Fanning, nascido em novembro de 1980, ao criar o seu tão falado Napster quebrando todo o paradigma e modelo de negócio do mercado fonográfico. Um garoto acabara de criar as redes peer to peer em escala mundial. O processamento seria o de cada máquina conectada a web. A armazenagem também. Começara na informalidade a época do conteúdo interativo e multimídia de várias vias. Informalmente nascia a web 2.0.
A reboque vieram Kazaa, Morpheu,… BitTorrent, etc,… Chegando finalmente e, por hora, a Last FM, Blip e Mixwit, onde estações de rádio são montadas em questões de segundos ao gosto do cliente e compartilhadas pelo mundo em questões de minutos.
Faço aqui uma breve ressalva sobre a questão da segurança online.
Uma farra do uso de cartões de crédito que até hoje é explorada por hackers. O mercado de segurança da informação ganha suma importância perante os novos desafios onde vivemos em uma realidade em que a cada hora surgem em média 15 novos vírus, malware e spyware e tudo o mais que é nocivo ao bem estar virtual. Surge a necessidade de poderosos firewalls, VPNs, criptografias com algoritmos cada vez mais fortes e elaborados. Falar e acessar pelo celular só com criptografia.
Ainda está sendo feita a transição de eras e gerações onde os bandidos de ontem usavam armas de fogo e os de hoje usam inteligência artificial, mouse, programação e engenharia social. 75% do tráfego de e-mail mundial são formados por spam.
E as cópias ilegais de conteúdo? Também já estão com seus dias contados a partir do momento em que entrou em cena o Attributor. Serviço totalmente baseado na web que a partir de seus feeds RSS vasculha a internet por cópias parciais e totais.
Ninguém deixa a porta de casa aberta, mas ainda deixa o computador logado na rede sem trava alguma. Este é um paradigma que insiste em ficar ao invés de ser transposto.
Foi pensando em socialização que se deu o surgimento das redes sociais como Orkut, MySpace, Facebook, Flogao e tantas outras mais. O Orkut (nem o Google sabe explicar o porquê de ele ser o sucesso que é aqui no Brasil, onde possui a maior base de internautas) possui mais de 80.000.000 de usuários, o Facebook mais de 100 M. Velhos amigos foram reaproximados e novos foram feitos. Verdadeiras coleções de amizades formadas e compartilhadas em comunidades de toda a sorte de assuntos. Isso sem se falar no YouTube, também comprado pelo onipresente Google. Pois os pessimistas de plantão fizeram previsões que a internet iria parar por não ter capacidade de banda e tráfego para tantos vídeos e streaming. Que venha o IP v.6 então. Exatamente ao contrário foi o que aconteceu. O custo de links e bandas largas vem caindo progressivamente no mesmo compasso do custo de armazenagem. Novos protocolos como EVDO, GPRS, 3G, WIfi e WIMAX surgiram aposentando de vez os velhos X.25 e Zmodem.
Surgiram também redes com foco corporativo como Linkedin e Plaxo.
A própria Microsoft, sócia minoritária do Facebook, acaba de mudar o perfil do Windows Live caracterizando-o como rede social atribuindo-lhe perfis de usuários e comunidades. O Google por sua vez começou a monetizar o Orkut com seus anúncios addwords. E nesta semana incluiu vídeo conferência ao seu Gtalk.
Até o Pentágono criou sua rede de vídeos denominada Trooptube. Para “matar” a saudade das famílias distantes de seus guerreiros espalhados pelo mundo.
Assim, além de mais opções e diversões, o internauta se transformou em criador. Além de textos a colaboração online se dá com fotos, vídeos, animações, músicas. Multimídia na veia.
Acabaram-se os hard-drives, Chegamos à época da memória sólida embutida na placa mãe. O que não só fez cair os preços das máquinas, mas como também o valor dos fretes pela respectiva diminuição de peso. Os processadores possuem núcleo quádruplo e só Deus, a Intel e a AMD sabem aonde podem chegar.
Blackberries e Iphones aliados à TV digital anunciam a mais nova fronteira a ser alcançada e superada. A convergência de todas as mídias para os dispositivos móveis. Cartão de crédito para que? O meu celular será aceito como meio de pagamento em todos os lugares. Eu não sou apenas mais um número telefônico. Eu sou um IP móvel. Estou conectado a tudo e a todos 24 x 7. SMS? Só se for através do Twitter.
Skype? Eu tenho!
MSN? Eu tenho!Gtalk? Também tenho!
ICQ? Já tive…
…Telefone fixo? Também já tive.
Second Life? Já entrei e já saí tal qual as grandes empresas que fizeram questão de marcar território neste novo mundo virtual. Até flashmob é feito por lá. E como dizem que a arte imita a vida; a vida virtual imita a vida real e vice-versa. Vejamos então:
Nesta semana que passou a britânica Amy Taylor, 28, (não é a Winehouse) se separou de seu marido na vida real após flagrá-lo em um encontro intímo com um avatar na vida virtual. E esta foi mais uma manchete noticiada pelo widget do Estadão.
Rapidamente o potencial das redes sociais foi notado quase que como uma nova bolha de internet. Formalmente estava criada a WEB 2.0 e todo o seu mundo de interatividade de várias vias onde todos criam, opinam e criticam globalizadamente. Uma coisa bem interessante foi percebida pelos grandes players da mídia on e off. O poder de flow socializado e embutido nas redes. Antigamente falávamos em hits e page views, mas agora queremos que o surfista virtual fique o máximo de tempo possível logado nas redes e nos mashups.
É fácil criar a sua própria rede social seja ela sob qual tema for. Acesse o Ning.
A IBM em conjunto com a NASA, por exemplo, disponibiliza descansos de tela que aproveitam a ociosidade dos desktops para fazer cálculos de pesquisas científicas como a genética dos alimentos e a cura de doenças como câncer. Ao todo já foram realizados pelo mundo cálculos que levariam mais de 400 anos para serem feitos sob a forma centralizada em grandes datacenters. Mas a força ociosa dos desktops está fazendo um árduo trabalho através de downloads, processamento e uploads em benefício de terceiros.
Cada vez mais caminhamos (nas nuvens) para a interoperabilidade 24 x 7. Já faz parte do nosso dia a dia.
Produtos de plataforma aberta compartilham do mesmo conceito das redes sociais. Tal qual a Wikipedia, os códigos estão abertos para desenvolvedores do mundo todo popularizarem seu uso, corrigirem bugs e brechas de segurança e aperfeiçoarem novas versões. Afinal “todos têm direito à informação”. É uma viagem apenas de ida em uma velocidade frenética.
Linus Torvalds criou o Linux e hoje já se aposentou. Segundo suas próprias palavras ele já deu a sua contribuição. Quantos sabores de Linux temos por aí? O céu é o limite.
Mais uma vez Bill se viu em uma encruzilhada ao ver seu Office perder valor de mercado para o gratuito OpenOffice de código aberto. Hoje Bill e Balmer já disponibilizam online a sua suíte de aplicativos a preços reduzidos.
As buscas já estão deixando de serem realizadas com operadores matemáticos e passam a ser na linguagem como falamos coloquialmente. Chegamos a web 3.0. Ou web semântica que será de domínio público em aproximadamente mais um ou dois anos. De acordo com as expectativas tudo começará a ser organizado dentro do contexto das informações existentes na internet. Será a sintonia fina da web.
Com certeza vivemos a quarta era. A era da informação. E quem conseguir se adaptar mais rápido aos novos paradigmas com certeza estará um passo a frente dos outros.
Quem viver verá.
Autor: Leonardo Moraes
Deixe um comentário